
Constata-se que todas as definições de conflito destacam oposição, antagonismo, choque, desordem. Ou seja, o conflito origina-se pela opinião divergente ou maneira diferente de ver ou interpretar. Advém da diversidade de interesses, desejos e aspirações – indiferente à noção restrita de erro e de acerto –, vincando posições, defendidas face a outras, diferentes.Todos vivenciamos a experiência do conflito (intra ou interpessoal), ao longo da vida. A aprendizagem daí resultante é mesmo imprescindível à saúde e ao amadurecimento biopsicossocial. Assim, sendo inevitável, um tratamento atempado e adequado da situação conflituosa ajuda a regular as relações sociais: ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro; permite o reconhecimento das diferenças (por exemplo, na disputa de recursos); ajuda a definir as identidades das partes que defendem as suas posições; permite perceber que o outro possui uma percepção diferente; racionaliza as estratégias de competência e de cooperação; ensina que a controvérsia é uma oportunidade de crescimento e de amadurecimento social.Jonhson e Jonhson (1995, citados por Costa & Matos, 2007, pp. 75-76) classificam os conflitos na escola de controvérsia (incompatibilidade na procura de acordo); conceptual (incompatibilidade com o conhecimento pré-existente); de interesses (as acções de um interferem ou bloqueiam as de outro, na persecução de fins pessoais) e desenvolvimental (forças opostas de estabilidade/mudança, que ocorrem simultaneamente em actividades incompatíveis adultos/crianças). E, um exemplo de conflito interpessoal frequente na escola é o desentendimento. Entre pares. Nas hierarquias. Envolvendo alunos, pessoal docente e não docente, famílias e comunidades.Em espaços de gente, no contexto dos processos de ensinar e aprender, falta à formação docente especialização no ensinar os alunos a aprenderem a ser e a viver juntos (Delors, 1996). Exemplo disso é a incapacidade para identificar as circunstâncias que derivam do conflito ou nele redundam. Em geral (nas escolas e fora delas) o conflito só é conhecido quando produz manifestações violentas, sendo imperceptíveis a divergência ou antagonismo anteriores. Agimos, então, para resolvê-lo, reprimindo a manifestação violenta

Na escola, sendo a divergência de opinião causa objectiva de conflitos, não o é menos a dificuldade de comunicação, de assertividade, de diálogo. A massificação da educação garantiu o acesso de todos, mas expôs a escola a um contingente de alunos com diferentes vivências, expectativas, sonhos, valores, culturas e hábitos; obrigando-a a controlar – de forma algo atrapalhada – o caudal de violência, que advém do conflito criado pela diferença de conceitos ou de valor que professores e alunos dão à mesma acção; reagindo, em consequência, diversamente ao mesmo acto. A escola (ainda) está historicamente habituada a lidar com um tipo padrão de alunos: apresenta a regra e exige destes o devido enquadramento. No entanto, da diversidade do perfil dos alunos (e dos professores), decorre a maior possibilidade de diferença de opinião, logo, de conflito, numa comunidade treinada para o inibir, visto como negativo, como anomalia do controlo social.